terça-feira, 19 de abril de 2011

PSICOTERAPIA BREVE OPERACIONALIZADA


Simon (1996) propõe uma modalidade de psicoterapia breve que denomina como Psicoterapia Breve Operacionalizada. O diagnóstico baseia-se na Escala Diagnóstica Adaptativa Operacionalizada EDAO (Simon, 1989), desenvolvida por ele com a finalidade de criar um método de avaliação diagnóstica que permita, com brevidade, fazer um levantamento da população e organizar providências para seu atendimento, conforme a classificação atribuída a cada indivíduo, segundo o critério adaptativo.
 Simon (2005) define adaptação como sendo o conjunto de respostas de um organismo vivo a situações que a cada momento o modificam permitindo a manutenção de sua organização. As soluções que o individuo dá às situações que a vida coloca constituem sua adaptação global. O psicoterapeuta, ao fazer o diagnóstico adaptativo, deve considerar quatro setores que interagem ente si:
Afetivo-relacional: conjunto dos sentimentos, atitudes e ações do sujeito em relação a si mesmo e ao semelhante;
Produtividade: conjunto dos sentimentos, atitudes e ações da pessoa em face ao trabalho, estudo ou qualquer atividade produtiva;
Sócio-cultural: abrange o conjunto de sentimentos, atitudes e ações do indivíduo relativos à organização social, recursos comunitários pressões sociais, bem como aos valores e costumes da cultura em que vive.
Orgânico: compreende o estado geral de saúde da pessoa bem como seus sentimentos, atitudes e ações em relação ao próprio corpo, à higiene, alimentação, etc.

Crise e Situações Emergenciais
A psicoterapia breve está intimamente ligada a situações emergenciais. Simon (1991) acredita que, quando o paciente encontra-se em crise, o interesse total do ego está inundado pelos fatos dolorosos da realidade; dessa forma, este se encontra motivado para sanar ou discutir seus problemas específicos. Nesse momento, a indicação seria um processo de psicoterapia breve e não um processo psicanalítico.
Simon (1989, p. 58) afirma que “o essencial na geração da crise é o fato de o indivíduo se ver frente a uma situação nova e vitalmente transformadora”. O autor faz a classificação etiológica das crises, ou seja, classifica-as de acordo com o fator essencial que lhes deu origem, baseado na concepção de perda ou ameaça de perda, ou aumento de suprimentos básicos, gerando tensão crítica. Segundo ele, pode-se dizer que há crises por perda (ou expectativa), nas quais os sentimentos predominantes são de depressão e culpa, e crises por aquisição (ou expectativa), nas quais os sentimentos predominantes são de insegurança, inferioridade e inadequação. Independentemente de seu aspecto descritivo, de desenvolvimento ou acidental, a crise se deve a aumento ou redução significativa do espaço no universo pessoal. Os fatores precipitadores da crise podem ser internos ou externos, positivos ou negativos e podem aumentar ou diminuir a eficácia adaptativa do indivíduo. Além dos fatores existem os microfatores, ambientais ou internos, positivos ou negativos, e, de seu interjogo com a personalidade do sujeito, resultam, a longo prazo, mudanças paulatinas no sentido do aumento ou da redução da eficácia adaptativa.
Nesses momentos de crise, o indivíduo fica exposto ao perigo e à oportunidade, esta última porque conta com uma maior motivação para mudar e, conseqüentemente, tende a aceitar uma intervenção terapêutica.
O objetivo da intervenção, para Simon, é melhorar a eficácia adaptativa do paciente. Tornar o período de crise em um período de crescimento, ajudando o paciente a encontrar soluções adequadas para ela.

Critérios de Seleção da Psicoterapia Breve Operacionalizada
O modelo de Psicoterapia Breve Operacionalizada, desenvolvida por Simon (1996), não possui critérios de exclusão, a não ser aqueles que querem se conhecer em níveis inconscientes mais amplos. Simon (2005) afirma que, em sua prática tem visto que é possível conciliar a PBO com a psicoterapia psicanalítica. Se o paciente está sendo atendido em psicoterapia psicanalítica e subitamente se vê numa situação de crise adaptativa, o psicoterapeuta pode adotar a técnica da PBO e, após a crise superada, poderá voltar à tarefa da psicoterapia psicanalítica.
Para ele, a escolha do modelo a ser utilizado depende do objetivo escolhido. Se o objetivo é o ‘reajustamento’ (adaptação às variações da realidade, interna ou externa, que exigem do sujeito novas respostas), o modelo imperativo é o pedagógico (desaprender, reaprender), ou seja, a psicoterapia breve.
Bibliografia:
Simon, R.(1989). Psicologia clínica preventiva. São Paulo: EPU.
Simon, R.(1991). Psicanálise e psicoterapia breve. Psicologia/USP, 5 (1), 93- 96.
Simon, R. (1996). Do diagnóstico à psicoterapia breve. Jornal Brasileiro de Psiquiatria, 45 (7), 403-408.
Simon, R. (2000). Psicoterapia psicanalítica ou psicoterapia breve? Trabalho apresentado ao 4º encontro do Curso de Especialização em Psicoterapia Psicanalítica, 7 Out. 2000, Universidade de São Paulo, São Paulo. (12 pp , Mimeo.).
Simon, R. (2005). Psicoterapia Breve Operacionalizada: teoria e técnica. São Paulo: Casa do Psicólogo.


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